O que eu quero para este ano novo.

Como todas as redes sociais e blogs, preciso começar o ano com minhas expectativas para ele em forma de texto. Não adianta achar que é clichê, porque seria sem noção se eu, no dia 1 de janeiro, escrevesse o que eu quero de Páscoa ou Natal. Tentarei Ser breve, não colocarei altas expectativas absurdas, mas colocarei o que eu gostaria que fosse diferente esse ano em comparação com o ano que passou.

Em 2014 eu gostaria que as pessoas fossem mais diretas e sinceras. Conflitos acontecem, e crescemos com eles, mesmo se o relacionamento ou amizade não resistirem. Neste ano eu espero muito que isso aconteça, ao invés das indiretas em redes sociais em forma de desenhos fofos que não têm contexto, ou das atualizações da Linha do Tempo do Facebook com aquelas frases que não refletem a verdade, mas só têm a intenção de atingir alguém – e outros amigos, por também ter alguma culpa no cartório, se ofendem também, pois todos são humanos e erram. Por exemplo, fulana A briga com fulano B por um romance que deu errado. Fulana A vai no Facebook e publica: “Sou mais forte do que algumas pessoas pensam! Homem não presta mesmo, só se aproveita!”. Se fulana A fosse forte, estaria se ocupando com outra coisa, como ler um livro ou se inscrever para um mestrado em sua área, ao invés de publicar no Facebook o fato dela ser solteira e talvez corna. Em suma, ela teria mais amor próprio e realmente seria forte. Aí ela atinge o fulano B, mas também os amigos fulano C, D e E que veem a frase e se ofendem, pois tiveram alguma briga em algum relacionamento. Estes em seguida a excluem do Facebook porque acham que são maduros e revolucionários fazendo isso, e diminuem o espaço para um diálogo e tudo vai virando uma bola de neve de infantilidade. Quero que em 2014 isso diminua exponencialmente.

Gostaria também que as músicas não fossem tão ruins. Desde quando paramos de fazer música sobre amores, sobre coisas das quais gostamos, sobre momentos da vida, e passamos a fazer música para ofender os outros e para nos achar surperiores? Como as pessoas conseguem dançar algo que diz “essa dança é para acabar com as invejosas!”? Que invejosas? Você ficou bilhonária e está indo pra balada de helicóptero? Ninguém tem inveja de gente que pega ônibus, metrô ou taxi para sair e corre para chegar cedo e pegar VIP para não pagar balada. E “beijo no ombro das inimigas”? Que inimigas? Ninguém me avisou que agora a cidade era dividida em aliados e inimigos, como em jogos de tabuleiro ou filmes de guerra. Vocês não tem inimigos, vocês conhecem pessoas com gostos diferentes e cujos santos não batem com o seu. Cada um vai pra um lado e tá ótimo. Se quiser desabafar, pegue um amigo seu e xingue o outro até perder o fôlego, mas não grave uma música para isso. Eu realmente duvido da capacidade intelectual das pessoas que dançam esse tipo de música, e dizer que a batida é boa não me convence, porque se fosse só a batida, que ouça música eltrônica ou algo que tenha só essa batida. Antes até dava para perdoar quando as pessoas ouviam músicas em inglês e as achavam lindas, sendo que as letras eram dramáticas ou horríveis, pois no Brasil a gente fala português. Mas agora eles dançam música ruim sabendo o que estão ouvindo. Portanto, espero que a música tenha que ser mais do que 50% boa (“só a batida”) para fazer sucesso.

Em seguida, gostaria que as pessoas aprovassem o esforço e admitissem a preguiça. Isso é difícil mudar, mas se não for mudar, ao menos não torrem a paciência de quem ralou para chegar onde está. Se você não quis ralar e preferiu curtir a vida, por preguiça ou qualquer outra desculpa, você é responsável por isso e as pessoas não devem te julgar. Agora deixem em paz aqueles que entraram nas melhores faculdades ou que conseguiram ótimas vagas de emprego como recompensa do esforço. Se querem ser amigos dos que ganharam na mega sena porque a casa deles tem piscina e o nível cultural da conversa ainda é baixo, que sintam-se livres para fazê-lo, mas que jamais tirem o crédito de quem trabalhou para conquistar sua casa com piscina, passando por faculdade, mestrado e doutorado. E não desejem mal ou invejem a posição de trabalho do outro, pois se ele está em uma vaga mais importante de trabalho que a sua, muito provavelmente você não conseguiria fazer o trabalho que ele faz no mesmo tempo e com a qualidade que ele faz. Rale também e chegue lá, depois vocês conversam. E chega de dar prêmio para jogador de futebol ao invés de professor ou escritor. Tudo tem limite.

E, finalmente, gostaria de dizer para não deixarem o amor para amanhã. O amanhã não é prometido para ninguém. Não fiquem adiando o encontro que vocês gostariam de ter, não coloquem empecilhos nos relacionamentos (distância, traumas anteriores, trabalho, possíveis dificuldades), tentem para ver se dará certo. Deem oportunidade às outras pessoas e sejam sinceras se gostam ou não, mesmo se talvez agora não seja a hora e talvez vocês deem certo mais tarde. Se der certo, ótimo, se for rejeitado, paciência, mas sejam justos um com o outro e não troquem as pessoas por qualquer bobagem. Briguem e sejam sinceros. Virem e falem que gostam tanto um do outro que ficaram putos com uma situação, que queriam dar um tapa, um soco, três chutes, um abraço e um beijo depois, e chorem de raiva se for preciso, mas não deixem as pessoas passarem em branco. Vejam menos filmes de comédia romântica para não ficarem esperando o impossível dos seus relacionamentos, digam aquilo que o outro quer ouvir de vez em quando, e gostem e deixem-se ser gostados. O que todo mundo precisa hoje não é de inimigos, recalcados ou esses novos vocabulários para exprimir esse tipo de comportamento imaturo, o que todos precisam hoje é de companheirismo, e de alguém que mesmo depois de conversar e discordar, dá beijo de boa noite e dorme abraçado.

Enfim, é isso que eu quero que as pessoas aprendam em 2014. Feliz ano novo!

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