Expectativas: ter ou não ter, eis a questão

Expectativas são importantes na vida, mesmo que muitas vezes elas falhem, porque a vida é feita de objetivos. No início eles são simples como esperar a escola terminar para se ver livre dela; no final da descola, é passar no vestibular; no final da faculdade, é conseguir emprego; e por aí vai. A expectativa é uma maneira de idealizar este objetivo e como será alcançá-lo. As vezes as expectativas nos frustram quando não se concretizam, e então, elas levam a culpa de tudo ter dado errado, ao invés falta de preparo pessoal para enfrentar os encalços da vida. Temos que encará-las da melhor forma possível (repito, “POSSÍVEL”) para aproveitar a vida. Não é fácil, mas é um aprendizado possível.

Alguns dos nossos objetivos de vida são de muito longo prazo, temos que criar outros para sermos capazes de atingir alguns e aumentar nossa motivação para alcançar os outros. O problema é quando criamos expectativas (e elas não esperam termos objetivos traçados para aparecerem) e elas começam a nos frustrar demais, e isso é prato cheio para as pessoas desocupadas entrarem no Google, buscarem por “imagem fofinha, bonitinha e gay demais” para colocar frases que elas juram que é verdade, como “nunca mais me prometa o que você não poderá cumprir” (como se todos soubessem o que não conseguirão concretizar) ou “se você me quer, casa logo comigo, ou some da minha vida porque eu não me importo mesmo” (como se soubéssemos quem é a pessoa de nossas vidas E que ela realmente não se importa). Depois de assistir a muitas novelas mexicanas, vem a famosa frase “não criarei mais expectativas”. Isso, não crie expectativas e deixe de viver também. Porque até em dia de chuva, quando você vê o relâmpago, você fica esperando o trovão (o que já é uma expectativa) e, quando ele é forte pra caramba, você pensa “wow! Eu sabia que ia ser forte!”. E, por mais trouxa que pareça, você diz isso com um sorrizinho no rosto de vitória. Criar expectativas é escolher onde pisar à frente. Pode ser que dê errado, mas você ainda está indo adiante.

Mesmo que você tente não criar expectativas, elas vêm. Filhas da p**a. Uma vez, ha um bom tempo atrás, eu estava saindo com uma pessoa que ficou adoentada devido a um surto de gripes fortes que estava tendo em São Paulo. Já era difícil nos encontrarmos, pois nenhum dos dois tinha carro, o transporte público era um inferno em nossas localizações (acho que era mais fácil fazer o caminho dos Incas no Perú que chegar na casa um do outro), nenhum dos dois morava sozinho e ainda vem uma gripe maldita só para dificultar mais um pouquinho. Mesmo jogando no modo Very Hard eu continuei tentando jogar, mas qualquer tentativa de visita vinha com uma recusa e uma desculpa.

Eis que, em uma luz no fim do túnel, veio um “se eu melhorar um pouco, eu vou aí na sua casa para a gente se ver”. Mesmo sabendo que não devia criar expectativas, mesmo sabendo que o universo conspirava contra isso, mesmo sabendo que o fim desse inútil relacionamento já estava escrito no calendário Maia, a bendita expectativa veio e se instalou nessa minha cabeça avoada. Chegou o grande dia do “talvez”, que significava 10% de chance e eu acreditei nele como quem acredita que aquele bilhetinho de loteria achado no chão vai ser o ganhador da Mega Sena acumulada. Às 18 horas eu recebi a notícia de que não seria possível nos encontrarmos. Até aí, ok. Ninguém pode ganhar todas. Eis que as 19, em uma conversa de MSN, vem a mensagem: “meus amigos me convidaram para ver o novo filme do Batman! Eu vou🙂 “. De repente a gripe agora não seria problema para ir ao shopping lotado ver o Batman. Então vá. Vá mesmo. Vá e não me apareça mais. Já não bastava ter quebrado essa mini expectativa maldita que me apareceu, precisava pisar em cima, jogar na sarjeta e atropelá-la três vezes com o bat-móvel?

As expectativa têm que ser encaradas como jogos de videogame no modo Very Hard. São complicados, se for possível, treine no modo Normal antes, mas não deixe de tentar. Caso dê errado, você deve saber que ou agora não é a hora – treine mais – ou jogue outro jogo para tentar de outra maneira. Não tem sorte com o amor? Tente o jogo. Não tem sorte com o Jogo? Tente o amor. Não tem sorte com nenhum dos dois? Bom, aí tente se inscrever um reality show porque você chegou ao fundo do poço, mas todo mundo que participa de reality show posa nú e ganha um dinheirinho. Agora, se você quiser um seguro de proteção contra falhas de expectativas (que não cobre nem 50%, mas já ajuda bastante), estude. Sempre funciona.

Outra maneira legal é prometer de menos, cumprir de mais. É sempre agradável você entregar mais do que a pessoa pediu. Isso recompensa as expectativas delas, dá ânimo para novas expectativas e planos, e contribui para a felicidade geral da nação. Apenas use essa tática com parcimônia, pois se virar um hábito, não terá o mesmo efeito.

E dessa maneira a vida segue, de expectativa em expectativa. Até nosso tempo aqui é medido em “expectativa de vida”. Portanto, parem de culpá-las pelos encalços da vida e vamos em frente. Também seria bom parar de assistir comédias românticas para não criar falsas expectativas, mas deixar de criar expectativas em geral é como deixar de esperar que o dia nasça amanhã, e que você terá a chance de tentar de novo. Dê chance à chance, dê tempo ao tempo e modere suas expectativas, tanto as suas quanto a que você cria em outros. Ah, e não se esqueçam, se for para frustrar a expectativa alheia, frustre, mas não há a necessidade de destruí-la, pulverizá-la e atroplelá-la com seu bat-móvel. Afinal, não somos todos um Batman.

Precisava pisar em cima, jogar na sarjeta e atropelá-la três vezes com o bat-móvel?

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