Rapidinhas do jovem: conselho se vende

Muita gente reclama da falta de oportunidades, das dificuldades, das armadilhas da vida amorosa, das pessoas que não ajudam. Pois é, gente boa ainda existe, que ajuda mesmo aqueles que não conhecem, mas e depois? É simples. As pessoas usam, abusam e ainda querem mais. Você reage, exige, tenta fazer a pessoa ir pra frente e o que acontece? Você é tachado como chato, insistente, entre outras coisas. Então a grande pergunta é: dar conselhos para quê, se você só se ferra tentando ajudar? Por isso o negócio é a venda de conselhos.

O negócio é simples: todo mundo pede conselho, e para isso contam a história, detalhes sobre os protagonistas e coadjuvantes, contam tudo. Você começa, com toda sua experiência de vida, de novela, de livros e de conversas de bar, a sugerir soluções, possíveis saídas e até mesmo, se envolve em assuntos que não deve para ver se ajuda o colega a tirar o pé da lama. E tudo isso para quê? Para não resolver nada e ainda acharem que você poderia ter feito mais. Isso porque é de graça. Agora, já reparou que tudo o que é pago não se desperdiça? A roupa é feia, mas a pessoa pagou, então ela usa; a comida não está tão boa, mas o prato está pago, então eles comem. Conselho segue o mesmo raciocínio.

Agora o negócio vai ser assim: se a pessoa me conta essas histórias todas – que são muito mais para se fazer de vítimas que para realmente pedir conselhos de como resolver a situação – eu vou me fazer de simpático. É simples, é bonito, as pessoas valorizam e elogiam a atitude. Porém, quando perguntarem “o que eu faço?” serei educado, farei cara de convalescência e direi “vamos torcer para que tudo melhore!”, em seguida, programarei um botão do meu celular para tocar a mesma música que está configurada para quando recebo ligações, então fingirei que atendo a chamada. Esse momento “nossa, como ele é atencioso e me ouviu!” será a amostra grátis para o serviço revolucionário: o Aconselhator Revolution Max CK1300-F1!

Agora o serviço será pré-pago ou por assinatura. Quer conselhos? Quer que eu fique utilizando o meu tempo livre para achar soluções para você? Agora você pode! Por apenas R$300 por semana ou a bagatela de R$1.000 mensais, o serviço de ombro para chorar está incluso! Pergunte, chore, questione, peça dicas com fundamentos que eu estarei lá! Porque é assim que funciona, time is money e é só no money para que as pessoas acham que o conselho é de verdade. Como provar isso? Veja o exemplo, uma pessoa paga trinta reais para uma cigana qualquer ler meia dúzia de cartas, e se essa mulher disser para não atravessar a rua porque uma Mercedes vai passar a 150 quilômetros por hora, cair e bater a cabeça na sargeta e lá ficar sangrando até a morte, ela NÃO VAI ATRAVESSAR RUA NENHUMA, nem vai sair de casa. Afinal, pagou-se RS$30, T R I N T A reais para isso, então não se desperdiça.

Outro exemplo desse uso é no aluguel aqui de onde moro. Quando o outro quarto fica vago, eu o alugo. Acontece que cobro apenas o aluguel e ainda fico de pai da pessoa. Preciso saber onde fica isso, como se faz aquilo, onde o fulaninho precisa ir pra tirar tal documento que não é problema meu e outras tarefinhas. Eis que acontecem problemas, desilusões profissionais ou amorosas. Resultado, eu preciso ficar animando, ajudando, pegando o fulaninho no colo e dizendo que tudo na vida tem saída, como se tivessem me ensinado cada vírgula que poderia acontecer no futuro, como se eu não tivesse que ter dado a cara a tapa para aprender como qualquer outra pessoa – isso quando ainda não me pedem desconto no valor pago. O que fazer? Simples, agora terei dois preços: R$(preço do aluguel) de aluguel ou 2 vezes R$(preço do aluguel) se quiser com o opcional “função pai”. Se é para ter dor de cabeça, então que me paguem por ela, assim como pagam para ter refeições prontas nas pensões, por pior que elas sejam, dividindo quarto com mais dez fulaninhos.

Portanto, o negócio é parar de lutar contra o que eu sei que é verdade. Já me disseram que “quando se dá a mão, pedem o braço”, e peço desculpa aos meus amigos, pois não dei atenção suficiente a eles para seguir este conselho. Talvez porque foi de graça? Mas agora acho que aprendi. Conselho é assim: quando não tem custo, tem desperdício.

Esse é o caminho para o sucesso!

Esse é o caminho para o sucesso!

Comments
One Response to “Rapidinhas do jovem: conselho se vende”
  1. maria lucia garcia disse:

    adorei!!vou seguir seus conselhos.quanto lhe devo?

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