Video-games

Uma cena que nunca esquecerei e que espero viver de novo e de novo e de novo é quando, em 1991, pedi de natal um video-game. Não imagino de onde tirei essa ideia de que queria um video-game, mas de repente eu quis (destino, talvez?). Então chegou em casa, usado e lindo, meu primeiro companheiro quadradinho eletrônico, meu Master System II! Foi aí que começou a minha trajetória com os games que dura até hoje. Esporte? Sim. Vício? Talvez. Nocivo? Papo de véia. Cresci e amadureci, e os games evoluiram junto comigo e me seguiram em cada fase.

Cresci jogando video-game. Eu, um monte de amigos e toda uma geração, maluca de emoção ao ver bonequinhos correndo da esquerda para a direita, pulando abismos, subindo cordas, derrotando vilões, resolvendo charadas, unindo casais, entre outras coisas. Parece pouco, mas é basicamente o que fazem os leitores de livros de aventura ou best-sellers, ou mesmo os cinéfilos, não com o mesmo esforço, pois eles ficam ali sentadinhos vendo tudo acontecer, enquanto isso, se nós não botarmos a massa cinzenta para funcionar, a princesa não será salva. Tiravam sarro porque nossas princesas eram de 8 bits, quadradinhas, baixinhas em quase monocromáticas. Hoje elas estão até mais bonitas que as da TV, e os volumes delas não são de silicone.

Muita gente, ainda assim, não tenta jogar nem mesmo assistir alguém jgoar. Eu sei que existe aquela defesa comum de “eu não tenho coordenação motora”, mas isso não significa que o jogo seja ruim. As coisas são diferentes, mas se o cinema é a sétima arte, os games deveriam ser a oitava. Ultimamente, as histórias dos games também têm sido mais criativas que a de muitos livros e filmes. Os efeitos especiais do cinema às vezes tiram o brilho da atuação ou ficam muito forçados, outros títutlos dependem muito da fama do ator principal. Os games não têm muito disso, ou o jogo é bom ou é ruim.

E esse papo então de que jogo isola as pessoas? Sabe o que isola as pessoas? Alguns namoros isolam, porque a namorada não quer que o bonito fale com o amigo na esquina que ela fica P#@% da vida. Alguns esportes também, porque torcer para o time adversário é praticamente crime inafiançável, que dá briga feia. Jogos não, as pessoas querem jogar juntas (online ou não), conversarem sobre o jogo, dizerem qual gostaram, dar dicas do que fazer para matar aquele chefe lazarento, se exibir dizendo que matou aquele inimigo opcional que ninguém consegue. Afinal, de que adianta terminar todos aqueles jogos se não tivermos para quem contar nossas vitórias? É quase igual história de pescador, mas daí ligamos o video-game e repetimos a façanha para provar.

Percebam que os jogos, no fundo, não são tão diferentes de outros hobbies? Todo homem jura que entende tudo de futebol, tem certeza absoluta que seria o técnico perfeito para seu time e tal. Nos games acontece a mesma coisa. Todos os jogadores acham que seriam os diretores ideais, que fariam o game que todos iam querer jogar umas 1000 vezes, para sempre, e que venderia bilhões de cópias, e por aí vai…

Outra coisa que não suporto é ver pais ou psicólogos desinformados falando dos problemas causados pelos games. Subestimar a função social dos games é subestimar toda uma geração. Na minha idade era raridade ouvir que alguém não jogava video-game. As locadoras viviam cheias, os fliperamas cheios de futuros amigos. Eram milhares, bilhares de crianças jogando, dando combos, explorando tumbas, conversando sobre isso e tudo mais. Eis que aparece um que jogou um jogo violento e a mamãe, muito responsável, vai para a TV e diz que foi o jogo que fez ele pegar uma faca e assassinar o amigo. Culpa do game, minha senhora? Será que não foi a mãe ausente que não percebeu que o filho era perseguido na escola? Ou talvez a mãe que não se deu ao trabalho de ver que o filho jogava um jogo proibido para menores de 18 anos, conforme escrito na caixa, porque jogo não é um produto marginalizado e possui todas essas informações? Ou, quem sabe, foi a mãe que não se deu ao trabalho de sentar cinco minutos do lado dele e ver o que ele jogava? Acho que a culpa está indo para o lado errado. Filmes de violência e tiros ensinam muito mais como ser violento que um video-game.

No fim, não sei o que os pais têm para reclamar de tão especial dos jogos. Poderiam reclamar que jogam muito, mas meninos que vivem jogando bola lá fora também deixam de estudar para ficar no campo jogando. Nos jogos, os gamers treinam idiomas, raciocínio, imaginação, trabalho em equipe. Todos ficam na segurança de casa jogando, claro que isso não substitui a necessidade de atividades externas, mas não é a prisão que tanto falam. Poderiam, finalmente, parar de ter esse preconceito bobo sobre os games e respeitar um hobbie diferente, afinal, não da para viver de novelas, filmes de Hollywood e as mesmas coisas de sempre. Sou a favor dos games, do programa Jogo Justo ( sem impostos abusivos nos custos, apoiem em http://www.jogojusto.com.br/ ) e da liberdade de experssão. Afinal, jogos juntam a galera, não deixam ninguém violento (desde que a pessoa já não seja) e, finalmente, não são ilegais nem causam overdose.

Assim foi, e que assim sempre seja! Avante!

Assim foi, e que assim sempre seja! Avante!

Dos 8 bits aos modelos realistas. Que saudades!

Dos 8 bits aos modelos realistas. Que saudades!

Comments
One Response to “Video-games”
  1. Glauco disse:

    Games são considerados arte, nos EUA. Isso foi uma decisão recente do governo e que abre mais o mercado de games e possibilita que leis de incentivo patrocinem a criação de novos games. Enquanto aqui os games são considerados jogos de azar, são super taxados e estão longe de um reconhecimento como esse para os desenvolvedores.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  • Minha Vida Antes dos 30 em números

    • 25,917 acessos
%d blogueiros gostam disto: