Agora a coisa é no tapa

Levou um certo tempo, mas estou de volta ao mercado sentimental. Saindo de um problema para tentar achar outro que valesse a pena me enroscar de novo, vejo que as coisas mudaram nesses meses que estive no programa de trainee para ser um “bom moço”. Igual no jogo UNO (ou Can Can, aquele de cartinhas coloridas), alguém aí usou a carta para inverter o sentido da jogatina. Você vai lá, é carinhoso, faz piadinhas, vai se aproximando, e, tomando todo o cuidado do mundo para não ser mais um cafajeste na vida dessa pobre vítima, depois de alguns dias de encontro, você ouve um “acho melhor pararmos por aqui. Não sei se conseguirei ser recíproco com você. Acho que você está gostando muito de mim e tenho medo que você se machuque depois”. Já que não posso explicar como a pessoa tirou tanta ideia de tão pouco contato, vou dizer algumas coisas que me vieram à cabeça depois de algumas repetidas experiências com essa mesma frase de efeito.

Basicamente, acho que o problema é justamente esse: ser presente, cuidadoso. O negócio funciona mesmo no tapa, ignorando a pessoa, tratando mal. Não vejo outra fórmula. Se te dizem “bom dia!”e você responde com outro “bom dia”, você está muito apaixonadinho. Vira e manda um “bom dia é sua vó, palhaço” que todos se apaixonam. MAS LEMBREM: isso funciona com as pessoas que podem se apaixonar por você, não qualquer cidadão na rua em pleno gozo de seus direitos civis e políticos. Vejam aqui a algumas dicas de como se dar bem no cenário amoroso atual:

1) Nada de SMS: Se me mandam mensagens no celular, por um mínimo de educação e de crédito telefônico, eu respondo. Isso não significa que eu quero casar com você amanhã, mas parece que agora esse é o entendimento universal, por isso, inovemos: agora, ao receber mensagem, não respondam. Se for muito urgente, do tipo “preciso de doação de sangue imediatamente!! Fui atropelado por um caminhão daqueles que acertam o asfalto na rua!! Por favor!!” aí a regra será esperar três horas e daí responder. Se for para fazer charme, mande uma mensagem com conteúdo adulto e diga que foi para o contato errado, senão, mais tarde, mande no MSN algo tipo “ah, vi sua mensagem, mas estava com uns amigos fazendo coisa nenhuma e acabei esquecendo de responder”. Depois de uma patada dessas, o coraçãozinho de seu pretendente vai perder o compasso por você.

2) A lista de Schindler: Também não foi uma, nem duas, nem três vezes que ouvi falar de pessoas que fazem lista de quantas pessoas ficaram, e o pior, eles sentem saudades de serem um número dessa pessoa que volta para eles e diz “peguei mais um ontem!”, igual pescador contando o que aconteceu na pescaria no rio que faz divisa entre três países da américa latina. Se é assim que a coisa acontece, vamos aderir à moda, e ainda podemos ser mais maléficos. Liguem pro cidadão e perguntem “ooooooooi, querido, tudo bem? Então, esqueci de anotar aqui no meu caderninho feito com papel ecológico reciclado, feito de árvores extraídas de regiões de reflorestamento, se eu te peguei às 02:21 AM ou se foi às 02:35 AM. Você se lembra? AHHHHHHHHHHH, LEMBREI!!! Não te anotei aqui primeiro porque nem seu nome eu lembrava, anotei aqui no celular “telefone do quinto elemento”, fofo né? Parece o filme lá… e também não escrevi nada aqui porque o que veio logo depois beijava muito melhor que você, e eis que você caiu no esquecimento. Deixa pra lá então! Desculpa incomodar, bello! Beijão!! *clic – tuuu… tuuu… tuuu…*”. Garanto que isso ia partir coraçõezinhos, vários voltando para casa em prantos, abraçando o travesseiro, soluçando e chamando seus nomes. Esperem para ver.

3) Poligamia é o que há: Também já ouvi aquele papinho de “eu estava gostando dele, mas daí, no dia seguinte, ele saiu com outro e me contou. Fiquei grilado”. Incrível que eu não fiz isso e tive MENOS chance que o poligâmico. Por quê? Porque é isso que as pessoas querem. Não dispensem outros paqueras, não tirem seus perfis de sites de encontros, não deixem de ir às festas. Eles não ficam grilados, eles gostam de serem feitos de segunda, terceira, quinquagésima opção, porque quando você os deixa em primeira, você está gamadinho demais, entendeu? Pisa mesmo.

Pode ser que alguns achem esses itens exagerados, pode ser que alguns se sintam injustiçados, mas isso aqui é apenas uma descrição da espinha dorsal do problema. Casos diferentes devem ser tratados de acordo com suas nuances.

Conheci gente que eu realmente gostei, que queria levar a coisa para frente para ver no que daria, pessoas com quem me senti muito bem estando junto, e pelo micro tempo que durou, é isso que posso afirmar da “relação”. Agora acharem que eu ia querer casar amanhã foi um tantinho exagerado, não é mesmo? Até queria dizer que deveríamos tentar de novo, mas vou dar tempo ao tempo e só tentar algo depois. Afinal, se eu tentar hoje, vão dizer que eu estou me rebaixando e acharão que é fraqueza, que estou com medo de ficar solteiro e todas aquelas desculpas prontas que leram no horóscopo do jornal gratuito distribuído na saída do metrô. Não pretendo morrer solteiro e também não pretendo casar amanhã.

Agora vou ficar aqui em casa, surfando na internet, jogando meu Playstation, ouvindo uma musiquinha e tomando “meus bons drink” e é assim que vai ser. Larguem a mão de covardia e vivam o que tem que se viver. Prefiro que alguém diga “não deu certo” do que “fugi da raia porque ‘VAI QUE’ não daria certo…”. História é feita de acontecimentos, não de possibilidades; e esses acontecimentos foram feitos por pessoas de pulso firme, e não de teóricos sobre “coisas futuras… coisas futuras…”(Esaú e Jacó – Machado de Assis).

A regra é essa: o menos é mais.

A regra é essa: o menos é mais.

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