Escolhas erradas, escudos inúteis

Um assunto que geralmente me incomoda quando querem conversar sobre relacionamentos é o fato de as pessoas inverterem certa situação: pessoas geralmente insistem em namoros ruins e criam barreiras para não começar um novo. Eu sei que geralmente a pessoa que menos presta é a que mais demora para sair da cabeça, mas essa desculpa funciona entre os 17 e 21 anos, depois vira uma desculpinha de quem não quer se dar ao trabalho de ter que sofrer as duas semaninhas de luto e voltar ao normal. Mas o que mais me incomoda não é demorarem para entender essa regra, é ignorarem os sinais que o todo poderoso dá para que entendam que aquilo é roubada.

O chamado “dedo podre” é apenas o estágio para o assento de gerência da associação de “pessoas mal-casadas”. Não há história que eu tenha ouvido que desse para ter um mínimo de dúvida quanto ao futuro do namorico. Peguemos um exemplo prático. Uma conhecida namora com um cara que tem uns vícios diferentes, daqueles ilícitos, enrolados em celulose ou o pó branquinho. Resumindo, sempre que ele usava alguma coisa, dava briga, e sempre que dava briga, a coisa ficava feia. Ela “pensou” em terminar, mas agora me diga, é preciso parar para PENSAR numa coisa dessas? É como dizer “oi, você quer ganhar 1,5 milhão de reais agora, sem ter que participar de um programa de reality show e denegrir sua imagem caso você não seja o vencedor?” e você responder que vai “pensar” na ideia. No final, ela chegou à conclusão que não queria deixa-lo, pois havia – acreditem – um lado bom no relacionamento: quando eles se sentavam juntos no sofá, ele ficava cafungando seu pescoço e dizia que gostava do cheiro dela.

Esse era o lado bom? Sabendo das coisas que ele gosta de cheirar, eu não acharia isso muito lisonjeador. Se ela trocar de perfume, ele deixaria de gostar dela? Se outra usar o mesmo perfume, ele troca de namorada? Mas parei de opinar. Afinal, quem escolhe o futuro dela é ela mesma. Quem sabe ela não aprende algo no percurso da vida e escolhe ser enterrada no final? Porque se escolher ser cremada, ao invés de jogar as cinzas na ilha de Creta, é capaz de ele juntar tudo, fazer um carreirão e…

Enquanto isso, as pessoas começam a criar problemas para que novos partidos não entrem em suas vidas. É extremamente irritante vir alguém e começar a apontar “defeitos” de outra pessoa que até ontem eu jurava que eram qualidades. Isso não é cena muito rara, começam a classificar qualquer pretendente que goste de qualquer coisa que o ex gostava, igualando-os. Já fui tachado por gostar de video-game, porque “meu ex também gostava… ele era um cafajeste…” o que, convenhamos, não é lá um elogio muito legal para um primeiro encontro. As pessoas precisam entender que tanto alguém que presta quanto alguém que não presta pode gostar de video-game, da mesma banda, dos mesmos filmes ou livros. Daí, ao conhecer alguém e começar a gostar, o firewall começa a defesa com frases como “gente, ele pegou café DESCAFEINADO! Não acredito! Não vai rolar!” ou “nossa, ele lê Paulo Coelho! Não vai dar mesmo!”. Ah é? Ele é que não devia querer você por ficar rotulando os outros, isso sim. Pare com isso e deixe rolar, vai que dá certo? Pior que o anterior geralmente é difícil, pelo menos para as pessoas que aprendem com os erros.

Resumindo, é normal que façamos escolhas erradas, pois se isso não acontecesse, os ex-namorados(as) não seriam tão abomináveis como são (existem exceções). Percebam e aceitem quando um namoro não vai mais para frente, o que não significa dar um basta no primeiro erro do outro, e também não dificultem a entrada de novos atores no teatrinho de sua vida. Entendam uns aos outros, pois mesmo que haja um comportamento que te irrite, você sentirá falta disso mais tarde. Antes sofrer pelo amor de alguém do que pelo amor de um bicho de estimação. Afinal, não existe coisa mais insuportável que gente que compra cachorinho pra ficar dando todo o amor de sua vida pra ele: o cachorro fica insuportável e o dono se adapta tanto ao bicho que só falta andar de quatro e fazer xixi no poste.

Parem de dificultar o que já não é fácil

Parem de dificultar o que já não é fácil

Comments
One Response to “Escolhas erradas, escudos inúteis”
  1. Larissa Lübe disse:

    Um daqueles textos que a gente sente vontade de ler, reler, reler, reler, reler…

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