A tampa do poço

Encontrei bons amigos nesse final de semana e no momento “fala que eu te escuto”, percebi que alguns estavam passando por momentos pelos quais eu já passei, então achei interessante dividir alguns conhecimentos. Eles cometeram o crime de tentar precaver amigos quanto aos perigos de determinadas situações. Ouvi os casos e ensinei a doutrina da “tampa do poço”.

As histórias eram genéricas: a primeira tentou avisar a amiga que o cara com quem ela queria namorar não era flor que se cheirasse, já o segundo tentou evitar que o amigo aprofundasse a amizade com o novo colega “descolado”, porque o cara não era boa pinta, ou melhor, tinha a síndrome da mão leve… O resultado de ambos foi o mesmo: foram tachados como invejosos, ciumentos, exagerados, xaropes, fofoqueiros, entre outros adjetivos.

Minha explicação para os casos foi simples: não devemos usar a tampa do poço. Pode soar estranho de início, mas faz muito sentido. O poço é aquele que falamos quando dizemos que alguém chegou no “fundo do poço”. É o fim, o nada, a situação mais rebaixante a que se pode chegar. O que aconteceu com meus amigos foi que, em respeito e consideração pelos queridos conhecidos deles, não queriam que estes chegassem justamente no fundo do poço.

Ao alertar outrem, fechamos o poço com a tampa. Nesse momento, sempre somos julgados como aqueles que impedem o acesso ao fundo do poço, que lá pode estar toda a felicidade da vida da pessoa e estamos impedindo o caminho, portanto, só queremos seu mal… as pessoas só não pensam que se quiséssemos o mal delas, ao invés de avisar para não fazer aquilo, diriamos “VAI COM TUDO!”, porque assim o bonito ia se ferrar redondo e ainda poderíamos rir disso, tirar foto e postar na internet. Afinal, como saberíamos de antemão o resultado, teríamos tempo de colocar a bateria da câmera para recarregar, limpar o cartão de memória, levá-la para a ocasião, fotografar e filmar tudo. Será que o pequenino cérebro das pessoas não pode pensar que de repente temos algum conhecimento do que estamos falando e que, de repente, queremos ajudar? Não. Sempre temos más intenções e ponto final. Fechamos o querido poço, restringimos o acesso às suas aguas.

Portanto, a melhor solução é deixar a tampinha do poço ali paradinha, juntando cupim. Ao contarem algo e pedirem opinião, devemos fazer aquela cara de verão. Se for para opinar, diga apenas: “você é maior de 18 e vacinado! Deve saber o que está fazendo!”. Espere ouvir o barulhinho da água quando a pessoa cair poço abaixo. Então, quando a pessoa já esta na fossa total, qualquer barbantinho de esperança que se ofereça é uma benção. Não precisa nem jogar a corda de uma vez, pode se divertir antes, caso você seja sarcástico. Jogue fio de nylon, barbante, lençol amarrado, e só no final, a corda mesmo… cada uma dessas será um “obrigado! Foi o Senhor que colocou você no meu caminho!” que você vai ouvir.

A moral da história é simples, as pessoas nunca entendem que se tenta ajudá-las antes de elas estarem no fundo do poço, isso não tem valor algum. Se você tentar socorrê-las antes, vai ouvir um grosseiro “eu não pedi sua ajuda”. Então deixe que caiam, se ralem, enfiem o pé na jaca e deem três voltinhas. Depois disso, qualquer auxiliozinho será uma benção. Afinal, você não deve se meter no aprendizado dos outros, a maioria não consegue aprender com exemplos alheios. Fique na sua, espere acontecer e seja o herói da situação. A hora certa para ajudar é quando a água bate na bunda. É simples, fácil, evita dor de cabeça e pode virar medalha no seu pescoço.

Espere a hora certa para ajudar: quando a água bate na bunda.

Espere a hora certa para ajudar: quando a água bate na bunda.

Comments
4 Responses to “A tampa do poço”
  1. Larissa Lübe disse:

    *-* escreva todos os dias, por favor.

  2. NINH@ disse:

    ameiiiiiiiiii e olha eu ja passei por isso parecido!!!!
    bjus

  3. fr. Mério disse:

    Texte très moyen! Comme le disait si bien Boileau: “100 fois, remettez sur le métier” Ton texte semble plus à un brouillon qu’à une réflexion profonde comme je les apprécie si souvent. Tu es un Homme pas un garçon !!! MDR xox

  4. rafael disse:

    Achei meio cruel.. mas é melhor do que aquela carinha de : “bem que eu disse”.

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