Saudades? Saudades do que?!

Há algum tempo me aconteceu uma coisa que me deixou com uma certa pulga atrás da orelha. Isso aconteceu porque encontrei em um desses sites de redes sociais da vida uma pessoa que conheci pessoalmente em 2008. Para que vocês entendam a gravidade da situação, vamos começar uma sessão de regressão, relembrando os fatos ocorridos em 2008. Então senta que lá vem a história.

No começo do ano conheci, via sites de internet, uma pessoa super interessante e bem afeiçoada, pra não usar termos muito intimistas, que me interessou bastante. Na época estávamos super paqueirantes e rolou de marcarmos de ir para barzinho, algo mais a dois (e ao vivo). Chegamos lá, as primeiras impressões foram extremamente agradáveis. Aquele rostinho, aquele corpo, aquela voz… tudo agradou. Entramos no bar, pedimos bebidas, começamos a conversar. Aquela imagem legal, construída com muito esforço e esmero, por dias e meses de conversa, se destruiu completamente em menos de 20 minutos. Nunca ouvi tanta baboseira vindo da mesma pessoa, e não me refiro a desilusão ortográfico-amorosa. Entre as muitas bobagens ditas, como "as pessoas se importam muito com imagem, saem com você se você for um cara rico e não importa conteúdo" (não que seja mentira, mas não é 100% dos casos e muito menos assunto para um encontro), ainda ouvi um "você é muito jovem ainda, tem só 22 anos. Não é como eu , que tenho 25". Eu não sei qual foi o calabouço de diferenças encontrado em tamanha diferença monstruosa de idade. Uma vida praticamente. Já fiquei chocado com o mote da conversa.

Não contente, a próxima sugestão dada pela experiência dos 25 anos de vida foi de sairmos do bar e irmos pra uma balada. Concordei, na esperança de algo melhorar, paguei a comanda com bebida e uns 15 reais de entrada, mesmo tendo permanecido uns 15 minutos no local. Fomos a uma balada que eu pessoalmente não curto, mas quem sabe a companhia ajudaria a melhorar algo (e agora, quando olho para trás e penso, qual era a esperança que eu tinha diante de uma pessoa dessas??!! Enfim, prossigamos). O caminho continuou com o mesmo assunto, os anos de experiência, os casos, o negócio de "valorize o que a pessoa é e não a idade que tem ou o dinheiro que ela tem", blablabla, coisas que eu sei, que todos sabem, mas que não devem significar que temos que fazer um feio feliz, e não entendi o motivo de uma pessoa linda e com corpo todo esbelto estava me explicando este tipo de coisas. Entramos, fomos pra pista, dancinha pra cá, dancinha pra lá, pra ir pra qualquer outro canto era mãozinha dada e nem eu sei o porquê… o resultado da noite foi um balanço de zero a zero, nada de beijo, nada de nada, além de eu já ter perdido a vontade. Depois disso nos esbarramos umas duas vezes na internet, recebi um feedback positivo do encontro e nunca mais tivemos notícias um do outro. Final feliz até aí.

Agora sim chegamos onde comecei o post: estava eu num desses sites de redes sociais e quem me aparece? QUEM?? Pois é.Os agora 27 longos anos de experiência de vida. Ao ver minha foto, não demorou para chegar a mensagem "Oi, gato! Me adiciona no novo MSN. Saudades". Vou repetir caso vocês não tenham reparado na palavrinha mágica: "SAUDADES". Mais uma vez: "Saudades". Só pra frisar: "saudades". É mole? Foi um dos piores encontros da minha vida, assunto chato, demonstração nula de interesse, praticamente um fora parcelado em diversas horas ao invés de dizer de uma vez que "não vai rolar". Pra quê isso, Brasil? É pra acabar. Talvez os outros pretendentes não tenham conseguido acompanhar a conversa por muito tempo, ou eles "preferem pessoas pela imagem e não pelo valor porque o que importa é o valor e a experiência da pessoa e não o que ela tem em casa porque não é assim que a vida é" (exatamente como eu ouvi, sem vírgulas, sem pausas, só o mesmo assunto).

Por que agora sentiria saudades? Será que hoje a palavra saudade não tem o valor que tinha antigamente? Você diz que sente saudade de alguém que você gosta muito, que você estima muito ou que viveu momentos legais e que gostaria de recordar, muito diferentes dos momentos que eu passei sentado ouvindo sobre a brutal diferença de idade e ideologias de 22 a 25 anos. Não se diz "que saudade!" para pessoas que você passou muito mais tempo reclamando do que as outras pessoas fazem para outras pessoas, e caso o que você sente saudades é o tempo que alguém ficou escutando você falar, ligue a TV no "Fala que eu te escuto", reclame tudo pro cara da telinha e poupe os ouvidos de alguém. Já se o caso for de querer um pretendente que não "se importa com as coisas que você tem e sim quem você realmente é", resuma MUITO a informação e diga em uma frase que você não curte pessoas interesseiras. No caso, eu aconselho a fazer isso ou muito no começo, ainda via MSN ou outro tipo de conversa, ou muito mais pra frente, primeiros encontros são para conhecer a pessoa e não pra mostrar a sua enorme lista de "coisas que não gosto", que todo mundo tem e sabe que o outro tem, mas não é necessario proclamar ela inteira e de uma única vez.

Concluindo, o importante é sempre ser sincero. Se você REALMENTE sente saudades mas nem sabe do que, diga exatamente isso pra pessoa, "sinto saudades, mas nem sei do que!", senão você abre este espaço, como me foi aberto, pra botar tudo na balança e ver que eu não sinto saudade alguma de ter jogado uma noite inteira da minha vida fora para ouvir sobre pessoas anciãs de 25 anos e interesseiros e teria ficado muito mais feliz em casa jogando PlayStation.

Comments
6 Responses to “Saudades? Saudades do que?!”
  1. Ana Paula disse:

    Achei o máximo.ps: A diferença entre os 25 e os 22 anos é que você não viveu o tempo suficiente para sentir saudades como ele. Bizarro!

  2. Wagner disse:

    Oi. Estou com saudades.

  3. Jekyl disse:

    @Wagner: Hahahahahahha besta!

  4. NINHA disse:

    "Oi, gato! Me adiciona no novo MSN. Saudades". kkkkkkkkkkk

  5. Osmira disse:

    Hahaha! Amei!

  6. Vera disse:

    Feeeeeeeeeeeer… que saudades de vc!

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