Andar de metrô é fogo!

Um dia de manhã, quando eu ia para a faculdade com a velocidade de uma tartaruga já que a aula era meramente ilustrativa, reclamei em pensamentos que quando tenho uma aula importante eu sempre saio cedo, vou correndo e chego em cima da hora ou um pouco atrasado, enquanto em dia de aulas mega úteis eu vou devagar e chego cedo. Maldito o momento que eu reclamei disso, nesta quarta-feira, dia 23 de setembro de 2009, paguei por isso e por todos os meus pecados das últimas cinco vidas. Acompanhem…

Acordei em cima da hora bem despreocupado, tomei café (Toddy), me arrumei, brinquei com o gato e sai. Subi despretensiosamente as duas quadras até o metrô, entrei na estação da linha verde e saltei no Paraíso para fazer a baldeação, que foi onde a caca começou. Assim que subi a escada rolante para pegar o trem da linha azul, vi que o Paraíso já não era o mesmo. Gente pra tudo quanto é lado, filas, trem parado só com metade dentro do túnel. Após uns 5 minutos, chegou outro trem e entrei. Vem o maquinista anunciar: “devido ao incêndio ocorrido na estação Sé, os trens estão circulando com velocidade reduzida e com maior tempo de parada”.

Não sei se tentaram fazer uma propaganda do Hot Pocket e enveloparam um vagão de metrô parecendo a embalagem do produto, tipo comum de propaganda atualmente, acabaram colocando o povo todo no microondas e queimaram feito pipoca, só sei que a Sé pegou fogo (definido como “início de incêndio” pelos jornais). Sendo direto, paguei a língua/pensamento. Se eu tivesse entrado mais cedo, tipo antes das 6:30, talvez eu conseguisse chegar no Paraíso antes da maldita Eva ter oferecido a porcaria de maçã pro Adão, agora vem a praga e bota fogo na estação Sé. Resultado? Cheguei na estação Paraíso às 7:10. 8:30 eu estava na Vergueiro (próxima estação). Enquanto isso, eu estava do lado da barra, segurando lá todo comportadinho, e vem aquele povo encoxando, espremendo, passando mão aqui e ali só pra poder segurar na barra também, como se o trem estivesse em movimento. Porque não descansam o braço enquanto me deixam em paz? O jeito foi cobrir todas as partes que consegui com a mochila.

Também havia uma senhora, nos seus sei lá… 40 e muitos anos e 90 e muitos quilos, que estava ficando com calor, calor, calor e ia tirando roupas, casaco, blusa, moletom… E ao lado um menino de uns 15 anos magrinho confortavelmente sentadinho. Eu tentei de todas as maneiras do mundo fazer aquele inútil entender que ele tinha que dar o lugar pra senhora antes que ela fizesse um strip tease ali e traumatizasse alguém, mas ele fingia não ver e olhava pros lados. Sinalizei, acenei, olhei feio, quase xinguei. Nada. Só não desci uma guardachuvada no traste porque se eu levantasse a mão eu não conseguiria mais baixá-la.

Uns 20 minutos depois, chegamos na estação São Joaquim (a próxima depois da Vergueiro), isso porque eles disseram “velocidade reduzida e tempo maio de parada”. A velocidade não era reduzida, era estática, porque o trem literalmente não se mexia, e o tempo de parada não era maior, era eterno. As pessoas começaram a bater os pés impacientes pra fazer barulho, como se isso fosse avisar alguém de alguma coisa, e alguns começaram meio que se jogar um pouco pra frente como se estivessem empurrando o metrô pelo lado de dentro. Será que eles realmente achavam que isso ia fazer o trem de seis vagões começar a andar aos poucos? Comecei a ficar nervoso. Tava quase descendo do vagão e indo a pé pelos trilhos. Se me parassem pra reclamar que só trem passa por ali, eu chamaria mais um bando, colocaríamos mãozinhas na cintura um dos outros e faríamos trenzinho cantando “tam tam tam tam tam! Hey! Tam tam tam tam tam! Hey!” até a Sé.

Emputeci e saltei na São Joaquim mesmo. Saí da estação e fui para o ponto de ônibus em frente. Havia somente uma moça solitária no ponto, loira (diga-se de passagem), então cheguei educadamente, segurando guardachuva com os bracinhos cruzados, um verdadeiro gentleman, e perguntei: “Senhora, qual ônibus pego para ir para a região do metrô Brás ou Bresser (onde fica minha faculdade).” Ela responde “hum… ônibus? Aqui eu não sei, hein… Mas você pode pegar o metrô” e fez aquela carinha de “ =) “. Olhei fixamente para ela por uns 15 segundos, fiz cara de “ ¬_¬”  sem piscar, sem respirar, sem mover um músculo que não fossem os que não precisam do meu estímulo consciente para isso. A resposta que eu queria dar era “tenho cara de bombeiro? Você está sugerindo que eu vá até a Sé apagar o incêndio antes de ir pra aula, é isso?” mas só falei “moça… o metrô pegou fogo” (foi o que saiu na hora). Ela disse que tinha visto isso no noticiário e que da casa dela deu até para ouvir o barulho do helicóptero indo apagar o fogo e tal (e ainda assim me perguntou “por que eu não vou de metrô”). Nisso, ela me diz que o ideal seria eu voltar até a Brigadeiro Luis Antônio, rua do lado da que peguei o primeiro metrô lá do começo do texto, e pegar um ônibus até a Sé e de lá, outro para o Brás. E lá fui eu peregrinar tudo de novo.

Voltei até lá enquanto recebia as lamentações de outros do grupo da faculdade quanto à situação. Uma integrante que geralmente vai de carro, por exemplo, achou uma odisséia entrar numa estação de metrô lotada, que fica junto com um ponto de ônibus, mas segundo ela também estava tudo lotado, ainda foi pisoteada, daí desistiu e voltou pra casa. E eu tenho que ler isso enquanto me ralo pra voltar tudo e pegar um bendito ônibus para conseguir chegar até a faculdade, já na segunda aula, porque a primeira já era. Cheguei na avenida e parei o primeiro ônibus que vi para perguntar como chegar até a região da estação de metrô Bresser. Adivinha o que eu ouvi? “Por que você não vai de metrô? =D “. Parecia que eu estava com uma camiseta com um luminoso escrito “me pergunte do metrô!” Novamente falei do grande incêndio e ele me instruiu como chegar lá, pegando uma condução, descendo na Praça João Mendes e pegando outra.

Quando eu subi no bus, falei com a cobradora para me avisar quando chegasse na tal praça. Fato: ou o cobrador é simpático ou é desinformado. Essa era super simpática e fofinha, justamente por isso, ela nem sabia onde era a tal praça (que ela passava todo dia durante o trabalho). Perguntou para o motorista e iriam me informar quando chegar. Cheguei, desci (não me avisaram quando chegou, mas todos desciam lá, portanto subentendi que era lá) e ao descer, nem perguntei nada pra ninguém e uma moça veio me perguntar se eu queria saber onde ficava o metrô Sé. Se eu não estivesse usando o guardachuva naquele momento chuvoso, eu juro que descia ele nela. Só agradeci a informação e continuei andando. Neste momento, uma integrante do meu grupo me ligou dizendo que eu podia ir pra casa porque já sabiam do incidente na faculdade e os professores perdoariam as faltas. Possesso, falei que eu ia de qualquer jeito e que chegaria na segunda aula já que tudo estava pronto comigo pra mostrar para o professor da segunda aula. Ela me instruiu certinho qual condução pegar pra chegar lá na faculdade. Desci na praça e dos dez ônibus que ela me disse, ninguém sabia de nenhum, mas me indicaram outro que também chegaria por ali. Subi.

Assim que entrei, o cara parou o ônibus e desceu. Conversou com uma moça. Se abraçaram, conversaram, e eu lá sentadinho. Depois ele voltou e pedi para que me dissesse quando chegássemos perto do metrô Bresser (já pronto pra descer a gaurdachuvada se ele perguntasse do metrô!) e ele confirmou, daí começou a cruzar todas as faixas no viaduto, buzinando e xingando meio mundo. E eu desesperado, já dizendo “pode ser na estação anterior mesmo! Ou aqui mesmo! Me deixa em qualquer lugar!”. Ele perguntou onde eu iria e eu falei da faculdade, então ele me deixou em um ponto onde eu só atravessei um viaduto e cheguei lá as 9:15.

A aula durou menos de 10 minutos, apresentando o que eu trouxe. Tudo aprovado, fui embora, e de metrô. É fogo mesmo.

PS: Vocês já me seguem no twitter? http://www.twitter.com/jekyl_hyde

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