A novela, a vida alheia e em último caso, a vida própria.

Outro dia eu estava na casa de um amigo e estávamos jogando videogame. No meio da jogatina, a mãe dele vem e pede pra gente dar uma pequena pausa para ela poder assistir a novela. Claro que não me incomodei, desligamos e todos começaram a assistir e opinar sobre a narrativa que se desenvolvia. Quando tentaram me inserir na conversa, eu até tentei comentar aqui e alí, mas disse que não acompanhava a estória. Nisso, a senhora logo disse que durante este ano, como seu trabalho não foi tão corrio como nos anos anteriores, ela teve mais tempo de seguir as novelas. Até aí tudo parecia normal, mas foi durante os próximos assuntos que isso acabou me deixando um tanto curioso, pra não dizer outra palavra…

Resumindo muito o que acontecia (e que eu, muito astuto, observava e mentalmente anotava tudo), a trama mostrava o que os personagens faziam enquanto os telespectadores hiper entusiasmados (mas que juravam não serem tão ligados assim em novelas) ficavam tentando adivinhar o que ia acontecer. Era praticamente um enorme bolão, com várias alternativas e prêmios. Um exemplo foi uma cena em que uma senhora se escondia no banheiro e ouvia toda a verdade sobre outra personagem que estava enganando ela e que havia matado muita gente. Daí começaram:

 

Telespectador desocupado 1: "ela vai ter um ataque do coração e vai morrer, por causa da idade! Daí ninguém vai saber a verdade!"

Telespectador desocupado 2: "ela vai lá na polícia entregar essa vagaba aí! CERTEZA!"

Telespectador desocupado 1 novamente: "ahhh não, ela vai pedir perdão pras pessoas que tentaram dizer isso pra ela mas ela não acreditou!"

Telespectador desocupado 3: "se eu fosse aquela mulher eu matava a velha e continuaria o plano!"

Entre outras baboseiras que ouvi.

 

Após a novela fomos até a cozinha pegar algo pra beber. A mãe do meu amigo foi logo se desculpando pela bagunça que estava sobre a mesa e em cima da geladeira, dizendo "olha isso, que zona! Mas não teve como, não tive tempo de arrumar nada!" e eu não me aguentei, e sem intenção acabei deixando escapar um "ué, mas esse ano não foi super tranquilo pra você a ponto de você seguir as novelas e tudo mais?" Ela ficou meio sem graça mas acabou reagindo com uma gargalhada. Não foi por maldade, mas pisei no maior dos calos:

 

TODO MUNDO TEM UMA SOLUÇÃO PRA TUDO NA NOVELA, MAS NÃO CONSEGUEM RESOLVER OS MENORES PROBLEMAS DA SUA PRÓPRIA VIDA.

 

Faça o teste. Pergunte, durante a novela, o que eles fariam em cada caso, seja ele o mais absurdo possível. A resposta virá em segundos, praticamente como naqueles programas de entrevista, onde tem aquele "bate bola, jogo rápido":

Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela tivesse matado aquela mulher?

Resposta astuta do telespectador desocupado: ela teria que cortar o corpo em pedacinhos e espalhar em lixos distribuídos em diversos cantos da cidade.

Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela tivesse achado uma mala repleta de dinheiro?

Resposta astuta do telespectador desocupado: pegaria o dinheiro, deixaria a mala lá, compraria passagens e fugiria pra Europa.

Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela precisasse matar a outra que agora sabe de tudo?

Resposta astuta do telespectador desocupado: é só misturar veneno na bebida da velha ou levar ela pra comer sashimi e dar um peixe venenoso "por engano".

 

Pois é, pra cada uma dessas eles têm uma resposta. Agora vamos para o lado da lado "vida real":

Eu pergunto: por que seu quarto está essa zona?

Assalariado que trabalha 6 horas por dia, que não cozinha, não limpa, não passa e ainda mora com os pais, mas que nas horas vagas vira telespectador desocupado: ahm… bom… é que esse ano foi tão corrido, então fui deixando, deixando, deixando…

Eu pergunto: se você tinha só 18 anos, por que não usou camisinha e evitou uma gravidez que deixaria sua vida tão mais complicada? E agora que tem filho, por que não cuida direito ao invés de deixar com a sua mãe, já que você agora você já tem 26 anos?

Desempregada, com cabelos perfeitamente tingidos, unhas perfeitas, corpo escultural e nada pra fazer o dia todo: ah… mas é que é tão difícil… as coisas são tão difíceis… mas a gente tá tentando…

 

Seeeeei. Eu também estou tentando. Tentando compreender a mente humana que reclama do que os outros não fazem. Mas agora, façam a experiência e coloquem as pessoas pra comentar sobre o problemas DOS OUTROS:

Pergunte à desempregada de 26 anos com filho sobre a cozinha desarrumada: "ahh, muito simples. É só limpar de pouco em pouco durante os intervalos da novela e durante os horários em que ela está em casa mas a novela ainda não começou".

Pergunte à dona de casa noveleira sobre o assalariado folgado: "é só acordar mais cedo pra arrumar um pouco o quarto ou arrumar e manter um mínimo arrumado depois que volta do trabalho, afinal 6 horas de trabalho não matam ningúem".

Pergunte sobre a gravidez precoce para o assalariado: "se fosse eu, jamais teria deixado isso acontecer. Daria um jeito com camisinha, espermicida, qualquer coisa. Mas caso acontecesse, ia ficar um pouco mais responsável e cuidar do piolhinho".

 

Está comprovado! O problema dos outros é sempre mais fácil que os nossos próprios! Só falta as pessoas começarem a perceber isso e tentarem resolver as pequenas guerras civis dentro de casa antes de exigir mais dos que estão fora dela. Acham que é fácil ser técnico de futebol e ganhar todos os campeonatos? Ou ser político e ter que resolver um milhão de problemas de uma vez com todo mundo buzinando na sua cabeça e te acusando de coisas? Então sejam um. Só não vale chegar lá na hora e dizer que justamente esse time que você pegou é muito ruim ou o seu mandato coincidiu com a pior crise política de todas. Ou as pessoas aprendem a se contentar com o que tem ou apendem a fazer mais. É o ciclo da vida.

Uma vez uma amiga minha disse que o pai dela resolve tudo com duas frases:

1 – O que é que te impede?

2 – O que é que precisa?

Ou seja, se você possui condições de fazer alguma coisa (frase um), corra atrás do que precisa e realize-se (frase 2). Talvez esse país precise de mais pessoas como o pai dela. Vou sugerir que ele apresente palestras alguém naquele, bando de gente, tem que conseguir abosrver algum conhecimento desse homem genial!

Comments
8 Responses to “A novela, a vida alheia e em último caso, a vida própria.”
  1. David disse:

    Sim, todo mundo se envolve com o drama alheio facilmente e esquece de sua própria vida, seja novela, ou caso de polícia q ganha mega publicidade nos jornais… Mas novela, em alguns momentos, é para mim uma forma válida de distração. Muito melhor é ocuparmos nossa mente com nossas próprias questões ou com a aquisição de novos conhecimentos, mas acredito q todos precisem de um momento de descanso mental e se entregar momentaneamente aos clichês e distrações de uma novela… Sabendo dosar, nao faz mal a ninguém. :)David.

  2. Mario F. disse:

    Cher Docteur Fernando, c\’est long en "crisse" à traduire via Yahoo Babel Fish ! À quand un résumé de votre pensée profonde en français? Le vieux Schtroupf grognon. Mario xox Dear doctor Fernando so sensuale, it is very long in "Tabarnak" to translate your text via Yahoo Babel Fish! When a resume of your so deep and profound meaning in english? Mario etc. xox

  3. Mark disse:

    | Nem há necessidade de dizer o quanto eu concordo com o que você escreveu, certo?| Como tudo na vida, deve haver uma razão para cada acontecimento / situação… não quero com isso manifestar qualquer tipo de concordância com as coisas que acontecem, tampouco com as \’desculpas\’ ou \’motivos\’ que cada um tem. Entender um pouco a realidade dos outros ajuda, ainda que não concordemos com ela. xD| That\’s why VIP always will be VIP! xD Keep walking… keep writing!

  4. ademir disse:

    Meu deus!!!!não aprende hein!Sinto muito em te dizer:PEGADINHA DO MALANDRO NOVAMENTE!!!!!!!!!!!!!!HAHAHAHAHLeitores é a quarta vez q posto esse mesmo comentario e o autor deleta……que absurdo!Cade a dialética???? e a liberdade de espressão?? hein!!!!Eita…….mais quantas vezes precisarei postar minha opnião….. (perguntas sem respostas)bjoMuito interessante essas palavras!No entanto, faz-me refletir outros pontos que não aparecem nas entrelinhas dessa tão inteligente dessa análise. Principalmente, para esclarecer o leitor alheio e “desocupado” que perde tempo entrando nessa porcaria de blog para saber sobre as considerações de alguém como você.Pois bem, as considerações acima feitas são sobre a família de um dos melhores amigos do autor. No espaço abordado na análise ocorreu diversas cervejadas, churrascos, cessões de vídeo game, pinga, e muitos, muitos, diálogos, triálogos, e etc. Na qual o autor participou e se divertiu muito, pois ele sempre foi considerado um membro da família.É claro que tudo isso não impede que ele faça as considerações descritas neste tópico, porém já que ele era amigo muito próximo da família, por que não tentou ajudar expondo pessoalmente tais considerações e evitando a exposição aqui realizada. Pergunto aos leitores: vocês exporiam amigos ou familiares dessa forma, como se fossem os donos da verdade e detentores do conhecimento absoluto?Complicado não é!Depois (agora são considerações minhas), como um burgueizinho de merda que viveu a vida toda em colégios particulares e escolas de idiomas, que se quer teve competência de passar em uma faculdade publica e compensar os gastos da familia, que gasta absurdos para viver em são Paulo e estudar em uma das mais caras faculdades, que sempre teve empregadas domésticas para limpar sua bagunça, como alguém como ele, tem a capacidade de fazer reflexões sobre a organização (ou desorganização) familiar de uma casa?????????Mal sabe você autor, que vivemos em um mundo repleto de diferenças filisoficas, sociais, culturais, onde cada pessoa ou família opta pela filosofia de vida que quiserem viver. Mesmo que esses hábitos firam as concepções que os outros julgam serem corretas. Responda pra mim, como um burgueizinho como você analisaria uma família cigana? Ou uma família nortista? Já sabemos as possíveis linhas de analise….preconceituosas e mimadas.Continuando, veremos se esse ser (autor) terá coragem de permitir os fantásticos leitores desocupados de lerem essas considerações, já que uma das conquistas do mundo capitalista (o qual o autor diz adorar fazer parte) foi a “liberdade de expressão”. Eu duvido, mas quem sabe né!!Outra coisa, Fernando, gaste o seu precioso tempo fazendo coisas que realmente poderiam fazer você feliz. Em arranjar alguém que te faça feliz, pois é isso que você precisa para controlar sua acidez despresível…………Um abraço, Com muita pena.

    • Jekyl Hyde disse:

      Muita pena de analfabetos funcionais que leem as coisas e não sabem quando algo não é pra alguém em específico. Gostou de descontar a sua raiva na falta de caráter que você teve e na sua inveja de não ser o favoritinho da família? Hummm… quem sabe se você tivesse comparecido todas as vezes que prometeu ir lá para um jantar ao invés de só aparecer quando brigou com todos os outros amigos e não sobrou mais ninguém, não é? Quem sabe se você tivesse contado historinhas reais da sua vida e não mentirinhas comoventes como as que eu ouvi eles repetindo, talvez? Quem sabe se você morrer e nascer de novo três vezes você volta com caráter. Daí eu perco minutos da minha vida ouvindo qualquer baboseira que você fala, meu caro.

      PS: compre um dicionário. Os erros de pontuação e de grafia no seu texto não são dignos de alguém que se acha o deus do conhecimento na Terra.

  5. Glauber disse:

    Sobre o texto:mais um texto divertido, exatamente por tratar daquilo que mais pertuba as pessoas: a rotina e o dia a dia.Sobre o comentário do leitor Ademir:o autor tem o direito de manter ou retirar qualquer comentário. A história da liberdade de expressão existe. É exatamente por isso que o Sr lê o post a partir do seu micro, não sendo obrigado a fazê-lo e cabe ao autor manter ou não a SUA opnião no lugar onde ele publica A DELE.Se ele é amigo da família, então deixe que ele fale com a família sobre isso. É assunto deles!Seria o Sr um membro desta família? Ou alguém que, na ausência de amigos pela sua total falta de respeito ao próximo, tenta escavar uma vaga nesta família?Abraços a todos!

  6. Wagner disse:

    Não sei se me diverti mais com o texto ou com os comentários do “ademir” (minúsculo mesmo). Como você mesmo da a entender, parece que as pessoas não aprendem a dividir a vida real da ficção. Seja de uma novela, seja em um texto que é feito para entreter de forma inteligente quem entende o que está sendo dito, seja em um filme.Mas sabe, se já deixam de fazer tarefas mais úteis para ver capítulos de novela, por que deixariam de ser desocupados a ponto de não perderem tempo fazendo comentários sem crédito sobre você, assim como fez o tal “ademir”. Acho que isso só prova a grande ligação que existe entre a vida real e a ficção novelística: A dor de cotovelo é a mesma. rsss Inveja da mocinha? Inveja da bandida? Inveja de quem o galã está pegando? Ou: Inveja de quem você é? Inveja do que conquistou e vai conquistar? Inveja de ter amigos verdadeiros? Inveja de você não necessariamente precisar de alguém para garantir sua felicidade? Inveja de quem você pode conquistar? Inveja por você ser inteligente? (ufa, a lista é grande, vou parar). Com certeza "esse" capítulo de novela eu vou acompanhar. Pois melhor do que ver a mocinha se dar bem na telinha, e ver as pessoas com falta de caráter e personalidade na vida real irem ao fundo do poço por não conseguirem o que querem. :pMas o importante mesmo, é que sempre vai ter gente aqui te dando audiência e se preocupando com o que você diz, ou deixou de dizer. (Não é, “ademir”?)Todo circo precisa de um palhaço pra fazer a gente rir. Ainda bem que apareceu um por aqui. Pena de quem acredita em tudo que lê. Pesquise no Google: "Como curar o câncer". As respostas virão. A conclusão se você deve levar a sério tudo que aparece, é apenas sua.Abraços.

  7. kemi disse:

    Aaaaaahhhhhhh Ademir seu TOSCOOOOOOOOOOOOO! Vai se CATAAAAAAAAAAAAAR! A Merda F@!¨#!$%*! Idiota….sem noção

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