A idade aumenta, a paciência diminui.

Muitas pessoas não gostam de aniversário. Eu até gosto. Cada ano menos, mas ainda gosto. O problema com a idade, no meu caso, ainda não é a preocupação com a velhice, pois ainda não tenho síndromes como "vou morrer solteiro" ou "rugas, dores nas costas e nas pernas", o que me persegue a cada primavera que passa é a falta de paciência.
Falando assim nem parece ser o armagedon que esse sentimento é. Algumas vezes eu paro e observo o que pensei de alguma situação, e concluo que talvez eu simplesmente esteja ficando ranzinza. Claro, isso não é algo total e talvez não seja permanente, eu ainda tenho toda a paciência do muuuundo para explicar uma tarefa ou dúvidas de gramática. Mas antes de eu falar por horas e mais horas, vamos dar exemplos que talvez a coisa fique mais clara.

1) Amores e desilusões… dos outros.
Esse é o primeiro e talvez o mais grave deles. Amores, mas principalmente desilusões alheias. Quando alguém vem me contar que está apaixonado ( ou apaixonada, leiam do jeito que preferirem, porque não vou por "(a)" do lado de cada um dos termos por questão de preguiça mesmo), que quer sair com a pessoa, aqueles primeiros flertes… acho o máximo. Se ficar um mês demorando pra dizer algo pro grande amor da vida dela, já começa a me deixar nervoso. Claro, não posso deixar de ressaltar que os amigos amiiiiiiiigos mesmo, os que eu tenho na lista de 7 favoritos, podem falar disso e tudo mais o quanto quiserem que não me cansa, mas muitas pessoas que conheço se "auto-listam" nessa lista. Enfim, até aí AINDA é suportável. O duro é quando o cidadão tem uma desilusão… aí, meus queridos, agüenta coração…
Já tive a fase de terminar namoro, choramingar pelos cantos, recordar cada vírgula e cada frase e pensar "porquê??!! PORQUÊEEEE??!!!" para ver se achava onde deu errado e alugar ombros amigos para me desidratar de tanto pressionar as glândulas lacrimais e limpar o olho por dentro. Mas naquele tempo eu podia. O duro são os marmanjos e mocinhas de 28, 30 e daí pra frente fazerem a mesma coisa. Uma mocinha de 17, 18 anos fazendo isso é entendível. Uma de 35 é ridículo. Primeiro porque dizem que pessoas de 30 anos ou mais são "maduros", e qualquer pessoa madura sabe que sai um, entra outro. Eu mesmo já to mais ou menos nessa fase. Não tenho paciência com ex, não converso, não fico relembrando coisas que já foram. Guardo bons momentos, lições, etc, e tá ótimo, bola pra frente. Agora tenho um período útil de 48 horas de tristeza e o restante é de volta à caça. Um exemplo disso, releiam meu primeiro post nesse blog. Na época eu estava namorando, fiquei escrevendo todo feliz, feito bobo. Um mês depois disso, o namoro acabou. Vocês acham que eu fiquei meses me interrogando o motivo? Tá, fiquei, mas depois disso, nos namoros subsequentes, não aconteceu mais. Isso porque eu até tive a chance de perguntar o porquê da coisa ter acabado, mas preferi deixar como estava. Como diz um bom e velho amigo meu, "não adianta chutar cachorro morto".
Mais uma coisa que me cansa é gente que vê que a coisa não vai funcionar e fica me fazendo perguntas que eu não sei responder e o pior, pedindo soluções para o caso. Daí a pessoa te põe na forca, porque se o conselho que você der não resolver o assunto, você se sente culpado pelo término e praticamente obrigado a ser o ombro que acalentará as lágrimas. Já no caso de algo que já vai acabar, você ouve aqueles "ele está afim de outra!", que daí aumenta para um "ela é linda, loira, de olhos azuis e magra, e tem 20 anos", e vai para o "já brigávamos muito fazia tempo…". Agora me digam, qual dessas coisas a pessoa quer recuperar???

a) o namoro, pois ela amava brigar com eles todos os finais de semana, dar tapinhas de amor e depois limpar o sangue da paixão que saiu de sua boca espalhando-se pelo carpete da sala…
b) a loira, pois ela sempre quis ser loira e isso desenvolveu uma síndrome lésbica, querendo o objeto de desejo do seu atual "amado"…
c) nenhum dos dois, ela quer mesmo é ganhar a competição com a loira e com o namorado, sendo ELA quem vai arranjar outro e dar o pé.
d) nenhum dos dois, ela só quer mesmo continuar coçando a bunda e tendo sexo no final de semana, pois ela não tá no pique de voltar a frequentar balada e barzinho para ver se arranja alguém de novo. Do jeito que tá não tá bom, mas tá pronto e tá fácil.

Por motivos óbvios, eu ficaria entre a C e a D. Votem nos comentários.

Já a parte das adivinhações vem com perguntas como "ai, ele não aguenta mais a minha cara e falou pra eu esquecer ele pra sempre. Você acha que ele tá com outra?". Aí você faz aquela de cara de "não sei. Talvez sim ou talvez o relacionamento já tenha se desgast…" *interrompe* "mas você acha que se eu aparecer pelada na frente da casa dele dizendo que quero sexo 24 horas por dia 7 dias por semana ele vai querer voltar pra mim?" cara de espanto minha, tentando responder "bom, olha, eu nunca fui pra cama com você então não sei, mas qua.." *interrompe* "então quer dizer que homem não gosta só de sexo? Mas me fala…" – e por aí segue… como se eu fosse o namorado dela, ou como se eu tivesse um oráculo para poder saber o que vai acontecer com ele ou com ela, isso porque eu nem conheci o cidadão, mas se eu fosse ele e ela me enchesse de pergunta igual esta fazendo agora, eu teria excelentes motivos pra mandar ela e o tal "namoro" irem passear no bosque.

2) Tudo é tãããão difícil…
Outra coisa que não dá mais pra ouvir é o quanto as coisas são difíceis. A pessoa tem que aprender inglês: "ah, inglês é tão difícil…". A pessoa tem que andar 3 quadras: "ah.. é tão longe…" e por aí vai. As pessoas têm que aprender que nada na vida é fácil, e ainda assim todo mundo se vira e não é reclamando que se resolvem as coisas. Claro que sou a favor da reclamação. Acho que a reclamação serve para sabermos onde está cada erro e corrigirmos, mas não para dar desculpa de algo que temos que fazer. Um exemplo disso são as áreas para cadeira de rodas em ônibus, metrô e etc. Eles ficam reclamando que não têm o corpo perfeitinho e exigem serem transportados de lá pra cá no colo? Não. Eles pegam elevador, sobem rampas e se viram, mas chegam lá.
Outro puta exemplo que eu vi foi uma novelinha japa. A menina desenvolve uma doença rara que degenera o cerebelo e ela vai perdendo os movimentos, a fala, tudo, mas ainda fica consciente, ou seja, ela não pode fazer nada a não ser esperar a morte, anda de cadeira de rodas e tudo, mas ela entende tudo à sua volta perfeitamente e isso a faz sentir uma retardada por não poder fazer o que ela podia antes. Ainda assim, ela andou enquanto pôde, jogou basquete, escreveu um diário, leu livros. Em momento algum ela falou "ai… ir até a esquina a pé é tão difícil…" isso porque ela pegou a doença com 15 anos e teve que abandonar a escola que ela tanto se esforçou pra entrar. E nós, lindos, maravilhosos e andantes, não temos direito nenhum de reclamar que é difícil. Você ainda tem 2 braços, 2 pernas, 2 olhos que lêem  1 boca que fala? Então você pode. Pare de ser vagabundo e vá atrás das coisas. Seja trabalho, estudo ou namoro. Reclamar no meu ouvido só é para quem quer ouvir a verdade ou ter uma ajudinha, não espere que nem eu nem outro amigo venham fingir que vão "ajudar" e "resolver" sua situação. Ninguém é melhor que ninguém, todo mundo é ansioso e inseguro, alguns demonstram mais que outros; e todo mundo é louco, a diferença é o grau.

3) Cabeça dura, arrogância e síndrome do "eu sei de tudo".
Mais um item composto. Vamos por partes. Pessoas que têm cabeça dura me irritam. Elas não querem ouvir e eu já sei que vai dar errado, tento explicar o porque, e mesmo que a pessoa não queira aceitar, existem diversas maneiras de dizer isso sem ser xarope e a maioria não consegue. É difícil explicar, mas dá pra saber quando a pessoa TEM que passar por aquilo e quanto ela pode ouvir as outras. Em relacionamentos, cada pessoa tem que passar pelos bons e maus momentos. Já se a pessoa quer pular do 8º andar do prédio, virar 5 mortais e cair na fonte para ver se entra no cirque du soleil, você avisa que não dá certo, dá conselhos de onde ela pode fazer isso com segurança, mas não adianta. É daí que vem a frase "dar com a cabeça na parede" ou "dar com os burros n’água". No caso específico do exemplo, seria "dar com a cabeça n’água", ou no concreto da fonte. Já com a arrogância, que seria aquela pessoa que acha que está certa e ponto final, o caso é parecido, mas é pior. Além de não aceitar o conselho, ela ainda dá uma de gostosa e tira você. Antigamente eu só achava isso ridículo. Atualmente eu sou capaz de voar no pescoço da criatura. A arrogância é parecida com a síndrome do "eu sei de tudo", a diferença é que a "eu sei de tudo" não é tão chata, mas tem a mania de completar tudo o que você fala. Você se sente num quiz onde cada pergunta deve valer uns 999.999,999 de dólares, porque não passa UMA frase sem o cidadão completar, e as vezes ainda completa errado, isso sem falar quando ainda quer dar respaldo científico pra resposta. Exemplo, você vai falar que 1+1 é *o outro ja responde* "DOIS!!! DOIS!!!". Não contente, às vezes reponde que é 3, e fica falando "mas eu li numa revista científica que dependendo da massa e da pressão atmosférica naquele determinado ponto onde você pegou essa laranja, essas duas que você pegou podem ter o peso de três laranjas". Não interessa, eu to falando que peguei UMA depois peguei mais UMA, então são duas, e eu não estou no topo do Everest nem na lua para isso ter um valor diferente.

Fora isso, minha tolerância a pessoas falsas, mentirosas e principalmente folgadas que passam perna nas outras aumenta a cada ano, e só não explicarei o caso ou exemplo de cada uma agora senão o posto vai triplicar de tamanho. Se eu fosse presidente, eu mandava prender e dava pena de serviço social por 90 anos, limpando rua, ajudando pessoas sem renda, reformando a cidade de São Paulo inteira trabalhando como pedreiro. Quem sabe a pessoa aprende.

Ás vezes eu penso que devo virar psicólogo. As pessoas me vêem e mesmo sem me conhecer, talvez pelo meu visual "fala que eu te escuto", começam a conversar comigo e contar a vida toda, esperando conselhos. Uma vez peguei um ônibus da minha cidade natal até a metrópole, e veja bem, são 5 horas de viagem, e nisso uma senhora sentou do meu lado. Começou a puxar conversa e tal, não deu 5 minutos, começou a dizer que o marido havia traído ela (detalhe, ela tinha uns 45 anos) com uma de vinte, magra e aquelas qualidades todas. Não contente, começou a chorar falando que estava indo pra São Paulo nos forrós da vida para ver se esquecia o cara. Até aí, ponto pra ela, ela está fazendo algo, o fogo é que ela me conhecia a dois minutos e eu não queria dar um tom de novela mexicana pra minha viagem, e de graça ainda por cima. Como se não fosse o bastante, me perguntou onde ficavam os forrós e lugares que ela deveria ir, e eu não soube responder porque ainda não tenho 45 e nem fui traído no casamento. É difícil as pessoas se abrirem umas com as outras, não sei porque que pra mim a coisa parece que fica mais fácil… Na verdade, eu não poderia ser psicólogo, pois eu pegaria o caderno capa dura de anotações na mão e desceria o cacete no paciente para ver se ele toma jeito. Ainda sou adepto da antiga educação, muita gente precisa apanhar pra deixar de ser fresca, e isso é fato.

Mas para encerrar pelo menos por hoje, gostaria de deixar algumas idéias. A idade não tem tanto peso assim. Não importa se você tem 35. Você já terminou antes e sabe que não se arranja um substituto em uma semana, então pare de chorar e vá atrás de outra pessoa. Segundo, pare de querer manter o que não está dando certo. Se não está dando certo agora, depois só vai piorar. Parem de ficar me perguntando o que fazer e arrisquem. Não tem essa de passar a idade de arriscar, você só não tem idade pra tentar de novo quando a idade chegar num ponto que você precise andar de andador ou cadeira de rodas, cheio de doenças como artrite, artrose, osteoporose e tal. Essa é a época quando você deve tentar médicos, remédios e fisioterapia. Aceitem opiniões mas discutam elas. E principalmente: A P R E N D A M. Cometer o mesmo erro duas vezes é burrice, e eu não aguento mais ver gente fazendo a mesma cagada duas vezes e vindo reclamar do que aconteceu.

TENTEM MAIS
ARRISQUEM MAIS
LIGUEM MAIS VEZES PARA AQUELE NÚMERO QUE VOCÊS TANTO OLHAM NA AGENDA DO CELULAR
QUEBREM MAIS A CARA
RIAM MAIS
PERGUNTEM MAIS
DÊEM MAIS FORA
PERMITAM MAIS
RESOLVAM MAIS PROBLEMAS
SEJAM MENOS FRESCOS
PEÇAM MAIS DESCULPAS
PAREM DE APAGAR ORKUT E CONTROLEM SEUS IMPULSOS
PROCUREM MAIS MÉDICOS OU PSICÓLOGOS
FAÇAM MAIS ARTE NA COZINHA E NÃO LIGUE PRA SUJEIRA FEITA
QUEBREM MAIS OVOS NA CABEÇA DO AMIGO SEM RECLAMAR DO CHEIRO QUE FICA
LEIAM MAIS O MEU BLOG
COMENTEM MAIS
SEJAM FELIZES!! AEEEE!

Porque afinal, o post tem que acabar feliz, né? Tudibão pra vocês, leitores!! E comentem!!! RUMO AO NOBEL DA LITERATURA DIGITAL!

Comments
2 Responses to “A idade aumenta, a paciência diminui.”
  1. Mark Kent disse:

    | Nobel da Literatura Digital?| É pouco, muito pouco, aliás, para você!| Você merece muito mais, obviamente! =D

  2. Gisele disse:

    Oi  Amor da minha Vida….
     
    Ai migo simplesmente adorei fikou memu giro…. nem preciso te perguntar se um dos 7 sou eu né? rsrsrs
     
    Foi mesmo uma indireta bem reta rsss mas mesmo axim te amo e mesmo axim vou fika a te alugar e sabex dixo hehe
     
    Amooooooo Muitooooo vc meu migo lindo.
     
    muitas xaudades
     
    bjus

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